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Reflexão e responsabilização para romper o ciclo da violência contra a mulher

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A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em uma sala que lembra uma sala de aula ou espaço de formação. As cadeiras estão organizadas em círculo, e os participantes — em sua maioria homens — estão sentados, formando uma roda de conversa.

Ao fundo, há um quadro verde com anotações feitas à mão, sugerindo que se trata de uma atividade orientada ou educativa. À frente do grupo, duas pessoas estão em pé: uma mulher e um homem, ambos segurando pranchetas ou papéis, aparentando conduzir a dinâmica ou leitura de algum conteúdo.

Também é possível ver um banner com um símbolo colorido em formato de árvore, o que indica que a atividade pode estar vinculada a um projeto institucional, social ou educativo.

O ambiente é simples, com iluminação artificial e poucos elementos decorativos. A disposição em círculo e a postura dos participantes sugerem um espaço de escuta, diálogo e reflexão coletiva — possivelmente um grupo reflexivo, roda de conversa ou atividade socioeducativa.

Não basta punir: é preciso responsabilizar e ter autoconsciência. Essa é a lógica por trás dos grupos reflexivos voltados a homens autores de violência doméstica, que vêm ganhando espaço no Brasil como estratégia para enfrentar o problema na raiz. 

Criados no contexto da Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006), esses grupos vão além da resposta penal tradicional e partem de um princípio importante: a violência é aprendida socialmente, muitas vezes associada a modelos de masculinidade que naturalizam o controle, a agressividade e a desigualdade de gênero. E, justamente por ser aprendida, pode ser transformada. 

Homens que já foram denunciados por suas companheiras ou familiares por atitudes violentas e que estão em cumprimento de medida protetiva de urgência são encaminhados pela Justiça para participar desses grupos. Trata-se de espaços seguros para desabafo, revelações e demonstração de fragilidades.  

Os grupos podem acontecer diretamente na Vara de Violência Doméstica ou por organizações parceiras, como conselhos da comunidade, mas sempre encaminhados pelo juízo. 

Seja num local ou em outro, a equipe que conduz esses grupos é composta por profissionais especializados no assunto, como psicólogos e assistentes sociais, que facilitam rodas de atividades e conversas coletivas voltadas a discutir padrões de comportamento, direitos humanos, relações de gênero e construção social da masculinidade. São vários encontros para se chegar ao resulto de autoconsciência e responsabilização.  

Vale ressaltar que os grupos reflexivos funcionam como uma roda de conversa para que homens autores de violência possam: 

  • Debater os comportamentos incentivados (ou considerados inadequados); 
  • Questionar conceitos enraizados de masculinidade; 
  • Refletir sobre as desigualdades que os cercam no seu dia a dia; e
  • Conversar com o grupo, escutar e falar sem medo. 

 Os grupos reflexivos não têm como objetivo

  • Tratar a saúde mental dos homens participantes (não são grupos terapêuticos); 
  • Ter viés religioso; 
  • Funcionar como palestras ou aulas; e
  • Conseguir informações para serem usadas no processo judicial. 

O foco é fazer com que homens reconheçam seus atos e mudem seu comportamento. Especialistas defendem que só a reflexão e a autoconsciência podem promover essa mudança. Por isso, os grupos funcionam, muitas vezes, como um complemento às medidas judiciais, ampliando as possibilidades de prevenção.  

O encaminhamento de homens autores de violência aos grupos reflexivos é apoiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como uma forma de proteger as mulheres e prevenir a violência doméstica.  

A ação também faz parte do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que prioriza julgamentos mais rápidos, cumprimento das medidas judiciais e programas que levem os autores a reconhecerem os impactos da violência. 

A imagem apresenta um infográfico em tons de roxo e branco, organizado em formato de fluxo contínuo com ícones circulares conectados por uma linha curva. O layout conduz a leitura de cima para baixo, explicando o funcionamento de grupos reflexivos voltados a homens encaminhados pela Justiça.

No topo à direita, informa-se que o homem é intimado pela Justiça a comparecer a um serviço ou setor psicossocial vinculado ao Judiciário local. Ao lado esquerdo, há a explicação sobre a entrevista inicial, momento em que são apresentadas as regras do grupo, como frequência obrigatória, duração do programa e possíveis consequências em caso de descumprimento.

Na sequência, o infográfico indica que os encontros são semanais, com duração entre 1h30 e 2 horas. Também destaca que a condução é feita por dois facilitadores — preferencialmente um homem e uma mulher — com formação em gênero e masculinidades.

Outro ponto enfatizado é que não se trata de um espaço de conversa livre: há metodologia estruturada, temas definidos e foco na responsabilização dos participantes.

Mais abaixo, há a informação de que o conteúdo das falas é sigiloso e não integra o processo judicial. Ainda assim, a presença nos encontros é obrigatória, e eventuais ausências são comunicadas ao juízo.

Na parte inferior, dois blocos de destaque informam que os programas devem ter duração mínima de oito encontros ou três meses, conforme recomendação do CNJ nº 124/2022, e que o objetivo é garantir tempo suficiente para promover responsabilização e mudança de comportamento de forma consistente.

E as mulheres que praticam violência?    

Quando uma mulher é a autora da violência, geralmente, é encaminhada para outro tipo de acompanhamento psicossocial, individual ou em grupo específico, porque as situações em que mulheres figuram como autoras de violência apresentam dinâmicas que demandam abordagens diferentes do recorte de gênero e masculinidades trabalhado nos grupos reflexivos.  

Texto: Regina Bandeira  
Edição: Andréa Lemos e Waleiska Fernandes 
Supervisão de conteúdo: Suzana Massako, juíza auxiliar da Presidência do CNJ, e Ceciana Schallenberger e Michelle Hugill, da equipe especializada de apoio do gabinete
Revisão: Caroline Zanetti
Agência CNJ de Notícias

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A imagem apresenta uma composição gráfica com fundo em tom roxo e, ao centro, uma fotografia inserida em moldura com cantos arredondados. Na foto, um grupo de homens está reunido em círculo, sentados em cadeiras, em um ambiente semelhante a uma sala de aula. Ao fundo, há um quadro verde com anotações e dois facilitadores — um homem e uma mulher — em pé, conduzindo a atividade com o auxílio de papéis ou pranchetas. A disposição em roda sugere um espaço de diálogo e reflexão coletiva, típico de grupos reflexivos ou atividades socioeducativas. No canto superior esquerdo da composição, há um símbolo gráfico acompanhado da frase: “A violência não mora aqui”, reforçando a mensagem institucional da peça. A imagem, como um todo, combina registro fotográfico e elemento visual de campanha, transmitindo a ideia de responsabilização, escuta e promoção de mudanças de comportamento em um contexto orientado pelo sistema de justiça.

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