Você reconheceria uma situação de discriminação racial se ela acontecesse diante dos seus olhos?
Nem sempre o racismo se manifesta por meio de ofensas explícitas. Muitas vezes, ele aparece em comentários aparentemente inofensivos, em julgamentos precipitados ou em atitudes que, de tão naturalizadas, acabam passando despercebidas. Com o objetivo de ampliar o letramento racial e estimular a reflexão sobre comportamentos presentes no cotidiano, o Comitê de Promoção da Equidade Racial (CPER) lança a campanha Diálogos sobre equidade racial, com uma série de conteúdos educativos sobre o tema.
Com base na Resolução CNJ nº 490/2023, que instituiu o Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Equidade Racial (Fonaer); na Resolução CNJ nº 519/2023, que instituiu o Prêmio Equidade Racial; e na Portaria da Presidência do CNJ nº 100/2025, que regulamentou o Índice de Participação da Equidade Racial (IPER), o TJMSP instituiu Comitê de Promoção da Equidade Racial (CPER), através da Portaria nº 568/2026 – AssPres, de 26 de março de 2026. Integram o Comitê o Desembargador Militar Adriano Baptista Assis, que o preside; Juiz de Direito Substituto Bruno Maciel dos Santos; Cid Sabelli, Coordenador da Escola Judiciária Militar (EJM); José Mario de Castro Bello, Chefe de Seção Judiciário; Sheila Yumi Sugitani, Assistente Técnico de Gabinete Judiciário; João Fernando Marcelino, Escrevente Técnico Judiciário; Ana Caroline Borges Martins, Escrevente Técnico Judiciário; e Larissa de Paula Xavier de Figueiredo, Escrevente Técnico Judiciário.
No vídeo da campanha, a personagem e-MILIA conduz o público por situações que evidenciam diferentes manifestações do racismo e da discriminação racial. A primeira cena mostra um homem negro sendo alvo de suspeita apenas por estar circulando no ambiente institucional. O personagem é visto com desconfiança antes mesmo de ser reconhecido como o novo escrevente do Tribunal, ilustrando como estereótipos raciais podem influenciar percepções e julgamentos.
Na segunda situação, uma mulher negra que ocupa um cargo de liderança tem sua autoridade questionada quando um visitante presume que ela não pode ser a diretora da unidade. A cena convida à reflexão sobre como pessoas negras frequentemente enfrentam dúvidas injustificadas em relação à sua competência profissional.
O vídeo também aborda a invisibilização da identidade racial, retratada quando uma mulher parda ouve que, para outra pessoa, ela “não é negra”, sendo definida apenas como alguém “mais bronzeada”. Embora muitas vezes apresentado como um comentário sem intenção ofensiva, esse tipo de fala desconsidera a identidade da pessoa e invalida a forma como ela se reconhece.
A última cena trata de uma manifestação comum de preconceito relacionada às políticas de ação afirmativa. Ao afirmar que um colega negro é competente “apesar” de ter ingressado por cotas, o personagem associa equivocadamente mérito e desempenho a características raciais, reproduzindo estigmas que contribuem para a manutenção das desigualdades.
Ao longo do vídeo, a e-MILIA apresenta explicações breves sobre cada situação, demonstrando como essas atitudes se conectam ao racismo estrutural e podem impactar a experiência de pessoas negras nos espaços institucionais.
Indo além do apontamento de atitudes inadequadas, a campanha busca promover conhecimento, diálogo e conscientização. A proposta é incentivar a construção de um ambiente cada vez mais respeitoso, acolhedor e comprometido com a equidade racial.
O CPER reforça que a promoção da equidade racial é uma responsabilidade coletiva. Reconhecer práticas discriminatórias, refletir sobre atitudes cotidianas e valorizar a diversidade são passos fundamentais para a construção de relações mais justas e inclusivas. Assista ao vídeo e acompanhe os próximos conteúdos da campanha. Pequenas reflexões podem gerar grandes transformações!






