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TJMSP participa de visita guiada à Pinacoteca de São Paulo

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Na manhã de 25 de julho, magistrados(as) e assistentes do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo participaram de uma visita guiada à Pinacoteca de São Paulo. A atividade, voltada à ampliação do repertório cultural e à valorização institucional, foi conduzida por Ana Maria Maia, curadora-chefe do museu.

Durante a recepção, a curadora apresentou um panorama histórico da instituição, que em 2025 celebra seus 120 anos. Fundado em 1905 como galeria de referência do Liceu de Artes e Ofícios, o museu cresceu ao longo das décadas com base em doações e aquisições, tornando-se o mais antigo do país dedicado às artes visuais. Ela também explicou que a reforma do edifício, assinada por Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Prêmio Pritzker, preservou intencionalmente a aparência inacabada da construção como metáfora de uma história em constante transformação.

Ana Maria Maia ressaltou a vocação da Pinacoteca para o diálogo com diferentes públicos e regiões do mundo e anunciou a próxima retrospectiva da artista colombiana Beatriz González, com inauguração prevista para agosto de 2025.

O grupo percorreu parte das 21 salas do acervo permanente, organizadas não de forma cronológica, mas por temas que estimulam o encontro entre obras de diferentes períodos. Esse formato, segundo a curadora, favorece interpretações críticas e afetivas, fortalecendo o papel da arte na construção de sentidos e na releitura da história.

Várias obras foram analisadas ao longo do trajeto, com discussões sobre representação social, autoria, apagamentos históricos e identidade. Um dos destaques foi a leitura comparativa de duas imagens com folhas de bananeira: uma fotografia de Paulo Nazareth, em que um homem negro se autorretrata adornado com a folha, e a pintura Bananal, de Lasar Segall, onde a figura humana aparece sem identidade, reduzida à paisagem. A comparação suscitou reflexões sobre apropriação da própria imagem e objetificação do outro, evidenciando estruturas de poder e invisibilidade.

Outra análise foi a obra Antropofagia, de Tarsila do Amaral, interpretada como marco do modernismo e símbolo das contradições entre vanguardas europeias e matrizes culturais brasileiras. A curadora enfatizou os limites e potências do gesto antropofágico, inserido em um contexto de apropriação simbólica, mas também de afirmação de uma estética nacional.

A representação do episódio de Canudos também foi explorada por meio da justaposição entre a abordagem trágica e solitária da artista Nilda Neves e a composição vibrante e coletiva de Luiz Zerbini. A leitura destacou a disputa de narrativas e a relevância de múltiplas vozes na construção da memória brasileira.

Encerrado o percurso na Pina Luz, o grupo seguiu para a Pina Contemporânea, unidade inaugurada em 2023 ao lado do Parque da Luz. No local, visitaram a Grande Galeria, instalada no subsolo, onde está em cartaz a mostra Foca Brasil. Com mais de 300 obras de artistas de todo o país, a exposição revisita os anos 1960 e 1970, período de industrialização, repressão e efervescência cultural, reunindo produções que dialogam com movimentos de contracultura e com o contexto latino-americano.

Ao final do encontro, o presidente do TJMSP, desembargador militar Enio Luiz Rossetto, agradeceu à equipe da Pinacoteca pela recepção e ressaltou a importância da experiência:
“Foi um aprendizado enorme para todos nós. Mesmo para quem está mais distante da arte histórica, ela nos toca. A arte existe porque a vida não basta”, afirmou, citando Ferreira Gullar.

Também participaram da atividade o desembargador militar Clovis Santinon, os juízes de direito Lauro Ribeiro Escobar Junior, Marcos Fernando Theodoro Pinheiro e o juiz de direito substituto Fabricio Alonso Martinez Della Paschoa. O grupo contou ainda com a presença de dois representantes da Associação Paulista de Belas Artes (APBA): a vice-presidente Ana Alice Cardoso e o diretor artístico Marco Antônio de São Pedro. 

A atividade integrou a programação cultural do tribunal, voltada à formação integral de seus quadros, articulando cultura, sensibilidade e consciência histórica.

Por: Imprensa TJMSP

 

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