Você está em: 

Das muitas cores de setembro: vozes que revelam a dignidade na inclusão

Postada em |
Categoria: Acessibilidade

Setembro é marcado por diferentes campanhas de conscientização, cada uma associada a uma cor e a uma causa relevante. Entre elas, o Setembro Verde convida à reflexão sobre a dignidade humana. Falar de acessibilidade e inclusão não é apenas tratar de estruturas físicas ou tecnologias, mas reconhecer que todas as pessoas têm direito de viver com respeito, autonomia e oportunidades iguais. É também compreender que a empatia é o caminho para superar preconceitos e barreiras que ainda persistem no cotidiano.

Instituído pela Lei nº 11.133/2005, o dia 21 de setembro é celebrado como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data reforça o compromisso da sociedade com a eliminação de barreiras e a promoção da cidadania plena, em sintonia com o espírito do Setembro Verde.


A servidora Seila Rodrigues Penteado, Escrevente Técnico Judiciário, conhece bem essas barreiras. Monocular desde a infância, enfrentou o bullying escolar e a exclusão em atividades simples. “As pessoas riam de mim por causa dos óculos, me chamavam de cegueta e nunca me convidavam para jogos. Eu me sentia inferior e sem amigos”, recorda. Quando decidiu prestar concurso, a fadiga ocular trouxe novas dificuldades: dores de cabeça, tonturas e visão turva tornavam cada dia de estudo um desafio. “Foi bastante difícil essa preparação, mas meu esforço foi bem recompensado.”


O preconceito também esteve presente na maternidade. Mãe de André, hoje com 45 anos e portador de síndrome de Down, Seila lembra o impacto das palavras de um médico logo após o nascimento. “Ele o chamou de mongoloide e disse que não chegaria aos 20 anos. Foi terrível ouvir isso.” Na busca por escola, enfrentou recusas e falta de estrutura. “Não havia professores capacitados, nem material adaptado. Mesmo assim, lutei para garantir ao meu filho o direito de aprender.” Hoje, ela resume o que aprendeu nessa caminhada: “Todos temos dificuldades, uns mais, outros menos. A pessoa com deficiência não precisa de piedade, precisa de oportunidade.”


O servidor Wesley Saraiva de Oliveira, Agente Operacional Judiciário, perdeu a visão ao longo da vida em razão de uma doença degenerativa da retina. Ingressou no TJMSP em 1995, por ampla concorrência, e acompanhou a progressão da doença até não conseguir mais caminhar sozinho pelos corredores do prédio. “Sofri pequenos acidentes, como colidir com portas de vidro. Em 2021, pedi a adaptação para o trabalho remoto e fui atendido. Desde então, exerço minhas funções em casa, com apoio de colegas e ferramentas digitais.”


A transição para o home office, no entanto, trouxe outros desafios: quedas de energia, falhas na internet e problemas técnicos que se tornaram obstáculos adicionais para alguém que depende do leitor de tela. E, no início desse período, a dor da perda dos pais para a COVID-19 se somou à adaptação à nova rotina. “Foi devastador, mas segui em frente, porque tinha que continuar trabalhando.”

Wesley também chama atenção para uma barreira invisível: a desconfiança diante de deficiências que não se percebem à primeira vista. “Se você tem uma deficiência, acham que é incapaz; se consegue desempenhar bem, acham que não tem deficiência. Essa lógica é errada e precisa ser superada.” E acrescenta: “Antes da letra D, de deficiência, vem a letra P, de pessoa. Como todas as demais, as pessoas com deficiência têm personalidade, defeitos e virtudes, e precisam ser respeitadas dessa forma.”


Para ele, acessibilidade vai muito além da tecnologia. “Queremos autonomia, mas até conseguirmos, precisamos de apoio. Nada substitui a ação humana.”


Essas experiências dialogam com relatos de outras autoridades. No II Encontro Nacional do Comitê dos Direitos da Pessoa com Deficiência no âmbito judicial, o desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca (TRT-9) contou que, em sua juventude, não teve acesso a livros em braile para estudar. Situações como a dele, e como as vividas por Seila e por Wesley, mostram que as barreiras impostas pela falta de acessibilidade podem limitar trajetórias, mas também reforçam a urgência de mudanças.


A acessibilidade precisa ser compreendida em diferentes dimensões que precisam caminhar juntas, e podem ser aplicadas das seguintes formas:

  • Atitudinal: quando magistrados(as), servidores(as) e estagiários(as) acolhem plenamente pessoas com deficiência, garantindo respeito no atendimento e nas interações;
  • Arquitetônica: com rampas, banheiros adaptados, piso tátil e mobiliário acessível;
  • Metodológica: em cursos e treinamentos que adotam materiais inclusivos, como leitores de tela ou tempo estendido para avaliações;
  • Programática: em normativos que asseguram, por exemplo, intérpretes de Libras e cláusulas de acessibilidade;
  • Instrumental: na disponibilização de softwares leitores de tela ou de intérpretes;
  • Nos transportes: com vagas reservadas, rampas de acesso e transporte oficial adaptado;
  • Nas comunicações: quando decisões são publicadas em formatos acessíveis;
  • Digital: na adequação do site institucional e do PJe aos padrões eMag, por exemplo, permitindo navegação acessível.


As histórias de Seila e Wesley lembram que inclusão não é apenas remover barreiras físicas, mas repensar atitudes. Como disse Seila, “devemos refletir sobre nossos preconceitos e desconstruir atitudes enraizadas.” E como reforçou Wesley, acessibilidade é humanidade: “Nada substitui a ação humana.”


Neste Setembro Verde, suas vozes reforçam que dignidade e inclusão caminham juntas e que cada gesto de empatia tem o poder de transformar vidas.

Por: Imprensa TJMSP

Notícias relacionadas:

Fotografia em plano aberto de dez autoridades em pé, alinhadas lado a lado em um gabinete oficial do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. No centro, o presidente do TJMSP, Silvio Hiroshi Oyama, veste terno cinza e gravata azul clara. À sua direita (na foto, à esquerda), estão magistrados ternos e o coronel PM Mario Kitsuwa em uniforme cinza. À sua esquerda (na foto, à direita), destaca-se a coronel PM Glauce Anselmo Cavalli e o coronel PM Allan Marques Bueno, ambos em fardas oficiais, seguidos por outros magistrados. Ao fundo, veem-se bandeiras, um crucifixo na parede e painéis de madeira. Da esquerda para a direita: diretor da Escola Judiciária Militar, Des. Mil. Paulo Adib Casseb; ouvidor do TJMSP, Des. Mil. Enio Luiz Rossetto; vice-presidente do TJMSP, Des. Mil. Orlando Eduardo Geraldi; subcomandante da PM, Cel. Mario Kitsuwa; presidente do TJMSP, Des. Mil. Silvio Hiroshi Oyama; comandante-geral da PMESP, coronel Glauce Anselmo Cavalli; chefe de Gabinete do Comando Geral, Cel PM. Allan Marques Bueno; corregedor-geral da Justiça Militar, Des. Mil. Ricardo Juhás Sanchez; Des. Mil. Adriano Baptista Assis e Des. Mil. Fernando Pereira

Alta cúpula da Polícia Militar realiza visita institucional ao TJMSP

Postada em |
Categoria: Institucional
Quatro pessoas estão sentadas em uma mesa de sala de reunião. Da esquerda para a direita, está um homem branco de cabelo curto e escuro, com barba leve e camisa azul clara; à direita, está uma mulher branca de idade mais avançada, com cabelo branco curto; à direita, uma mulher branca jovem de cabelo castanho escuro, liso e longo; e à direita um homem branco mais velho de cabelo grisalho. Os dois homens dão um leve sorriso, enquanto o mais jovem fala, e as mulheres estão com expressão de desconforto.

Em campanha, CPEAMAS aborda casos em que a discriminação está por trás do assédio moral

Postada em |
Categoria: CPEAMAS
Cinco homens em trajes formais posam lado a lado em um auditório institucional. Ao fundo, há uma mesa com cadeiras, um telão de apresentação e a bandeira do Brasil posicionada à esquerda. Os participantes estão de pé, com postura formal, alguns com as mãos à frente do corpo. O ambiente é bem iluminado e sugere a realização de um evento oficial ou reunião no âmbito do sistema de Justiça.

Justiça militar paulista participa de debate sobre metas e diretrizes do Judiciário brasileiro

Postada em |
Categoria: Metas Nacionais

Noticias

Aviso!

Você está sendo redirecionado para outro site e o link abrirá em uma nova aba. Deseja continuar?