Como criar mecanismos contínuos de escuta e capacitação para os(as) servidores(as) e magistrados(as), de modo a fortalecer o engajamento, o sentimento de pertencimento e, ao mesmo tempo, contribuir para a qualidade dos serviços prestados à sociedade?
Foi a partir dessa pergunta que representantes do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), do Superior Tribunal Militar (STM) se reuniram em uma oficina colaborativa dedicada à construção de uma solução para um desafio que atravessa diferentes instituições públicas: como fazer o conhecimento circular, aproximar pessoas com diferentes experiências e transformar aprendizagem em parte da rotina de trabalho.
Realizado nas instalações da JMU entre os dias 26 e 28/10, o encontro reuniu magistrados(as) e servidores(as) das Justiças Militares Estadual e da União e integra as ações desenvolvidas no âmbito do Acordo de Cooperação firmado entre as instituições para o cumprimento da Meta 9 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), voltada à inovação no Poder Judiciário.
Escuta ativa como base da ideação
A oficina partiu da compreensão de que qualquer solução voltada às pessoas precisa começar pela escuta. Ao longo das atividades, os(as) participantes refletiram sobre questões presentes no cotidiano das instituições, como a transmissão do conhecimento, as oportunidades de capacitação, a integração entre diferentes gerações, o engajamento das equipes e a construção do sentimento de pertencimento.
A diversidade de experiências teve papel importante nesse processo. Profissionais com diversos repertórios, em diferentes momentos da trajetória profissional, puderam compartilhar percepções, dificuldades e expectativas, reunindo a experiência de quem conhece profundamente as rotinas institucionais às novas formas de trabalhar, aprender e utilizar a tecnologia. Mais do que encontrar respostas imediatas, a proposta foi compreender o desafio sob diferentes perspectivas e, a partir delas, construir coletivamente uma solução que pudesse fazer sentido no dia a dia das pessoas.
Para conduzir esse percurso, a oficina utilizou ferramentas de Design Thinking. O trabalho começou pelo mapeamento dos principais desafios relacionados à escuta, à capacitação e ao engajamento de servidores(as). Em seguida, participantes avançaram para a etapa de ideação, utilizando ferramentas que estimulam a geração rápida de diferentes possibilidades para um mesmo problema.
As propostas foram discutidas, combinadas e aprimoradas pelo grupo até chegarem ao chamado “RG da Ideia”, etapa em que a solução escolhida passou a ganhar contornos mais concretos, com a definição do problema enfrentado, público a ser atendido, proposta de valor e possibilidades de funcionamento. Desse processo nasceu o conceito de uma solução tecnológica que endereça todas as necessidades e oportunidades reconhecidas ao longo da oficina.
Da escuta à solução: uma nova forma de compartilhar conhecimento
A partir dos desafios identificados e das ideias construídas ao longo da oficina, os(as) participantes chegaram à proposta de uma aplicação integrada à rotina de cada profissional, reunindo capacitação, compartilhamento de conhecimento, reconhecimento e mecanismos permanentes de escuta em um mesmo ambiente. A solução foi pensada para tornar a aprendizagem mais acessível e presente no dia a dia, integradas às ferramentas institucionais, com recursos de gamificação que buscam reconhecer a participação nas ações de desenvolvimento. O objetivo é valorizar a capacitação contínua e os saberes já existentes dentro das instituições.
Outro eixo da solução é a escuta contínua. A ideia prevê um mecanismo de check-in que permita acompanhar percepções ao longo da jornada, aproximando desenvolvimento profissional, participação e experiência no trabalho. Recursos de inteligência artificial também foram considerados como suporte à solução, ampliando as possibilidades de acesso ao conhecimento e de interação com os conteúdos disponibilizados.
Para além de concentrar cursos em uma única plataforma, a proposta busca criar uma jornada contínua de aprendizagem e participação, integrada às ferramentas institucionais e conectada ao cotidiano de trabalho.
Inovação construída por quem conhece a rotina
O encerramento da oficina contou com a participação do Desembargador Militar Adriano Baptista Assis, Presidente do Comitê Gestor de Inovação do TJMSP, do Ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz, do STM, e da Juíza Federal Vera Lucia da Silva Conceição, da JMU.
Em sua manifestação, o Desembargador ressaltou a importância da aproximação entre as Justiças Militares Estadual e da União diante das particularidades compartilhadas por essas instituições e destacou o valor da cooperação e da troca de conhecimentos na busca por soluções aderentes às necessidades de magistrados(as) e servidores(as).
Além da participação de servidores(as) e colaboradores das instituições, a atividade contou ainda com a colaboração de Ana Cristina Pimentel Carneiro, Diretora de Gestão de Pessoas (STM); do Juiz de Direito Substituto Fabricio Alonso Martinez Della Paschoa, Coordenador do GaroaLab – Laboratório de Inovação (TJMSP) e da Juíza de Direito Substituta Gabriela Barchin Crema, Ouvidora da Mulher (TJMSP). A mediação da oficina ficou a cargo de José Henrique de Sousa Nascimento (STM).
O caminho iniciado pela oficina reforça uma ideia simples, mas essencial para a inovação no serviço público: conhecimento compartilhado aproxima pessoas, preserva experiências e amplia a capacidade das instituições de aprender e evoluir continuamente.






















