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“Por que e como discriminamos?”: Conselheiro Fábio Esteves participa de painel no TJMSP, com reflexões sobre Equidade Racial no Sistema de Justiça

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Categoria: Equidade Racial

“Como fazer com que a equidade saia do plano teórico e se concretize?” A pergunta, dirigida pelo presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), Des. Mil. Silvio Hiroshi Oyama, ao Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Doutor Fábio Esteves, conduziu parte das reflexões do painel “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, realizado nesta terça-feira (6), no auditório do Tribunal.

A resposta apontou para uma responsabilidade que ultrapassa atitudes individuais e envolve as próprias instituições. Ao agradecer a realização do encontro, Fábio Esteves afirmou que o enfrentamento ao racismo é responsabilidade de todos e destacou o TJMSP como um aliado nessa agenda.

Fotografia ampla da roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, promovida pelo TJMSP. No palco, da esquerda para a direita, estão o Professor José Vicente, a Juíza de Direito Gabriela da Conceição Rodrigues, o Presidente do TJMSP, Desembargador Militar Silvio Hiroshi Oyama, o Conselheiro do CNJ Fábio Esteves e, ao lado dele no sofá, o Procurador de Justiça Eduardo Dias de Souza Ferreira. Ao fundo, está projetada a obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, composta por dezenas de rostos de homens e mulheres de diferentes tons de pele e traços diante de um cenário industrial. Nas projeções laterais, aparece a identidade visual do painel sobre equidade racial no Sistema de Justiça. Em primeiro plano, integrantes da plateia acompanham o debate, entre eles o Desembargador Militar Fernando Pereira, do TJMSP, sentado à direita
Da esquerda para a direita, Prof. José Vicente, advogado e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares; Dra. Gabriela da Conceição Rodrigues, Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP); Des. Mil. Silvio Hiroshi Oyama, Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP); Dr. Fábio Esteves, Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e Dr. Eduardo Dias de Souza Ferreira, Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), durante a roda de conversa sobre equidade racial

“O combate ao racismo, ao motor diário que produz o racismo, não pode ser feito de forma individual, tem que ser feito de forma institucional, e é isso que o TJMSP está fazendo”, afirmou o conselheiro.

A atividade foi realizada em formato de roda de conversa e reuniu, além de Fábio Esteves, o advogado e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, Professor José Vicente; a juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), Doutora Gabriela da Conceição Rodrigues; e o Procurador de Justiça Doutor Eduardo Dias de Souza Ferreira. O encontro foi mediado pelo presidente do TJMSP.

“Por que e como discriminamos e o que fazemos com isso?”
Ao abordar a pergunta sobre como transformar a equidade em prática, Fábio Esteves propôs uma provocação aos participantes: “Por que e como discriminamos e o que fazemos com isso?”.

O conselheiro fez um retrospecto do preconceito racial no Brasil e destacou que a população negra foi excluída do projeto de construção da República brasileira. “O Brasil começou a República sem as pessoas negras terem sido convidadas para a festa”, afirmou.

Fotografia do Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, Desembargador Militar Silvio Hiroshi Oyama, e do Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça Fábio Esteves durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, promovida pelo TJMSP. À esquerda, Silvio Hiroshi Oyama, homem de pele clara, cabelos grisalhos curtos e usando óculos, está sentado em uma poltrona e observa o convidado. À direita, Fábio Esteves, homem negro, cabelos curtos, barba e usando óculos, está sentado em um sofá, segura um microfone e gesticula enquanto fala. Ao fundo, aparece projetada parte da obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, composta por rostos de pessoas de diferentes tons de pele e traços, além da identidade visual do painel sobre equidade racial. Em primeiro plano, integrantes da plateia acompanham o debate
Des. Mil. Silvio Hiroshi Oyama, Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), acompanha a fala do Dr. Fábio Esteves, Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”

Segundo Fábio, a exclusão histórica contribuiu para a construção de um modelo de hierarquização da humanidade, padrão que permaneceu sustentado ao longo de décadas. Para ele, compreender o racismo exige reconhecer que a discriminação não é apenas uma atitude individual, mas está relacionada à inferiorização do outro, à hierarquização e à disputa pelo poder. “Antes de tudo, a discriminação é um ato de inferiorização do outro, é a hierarquização, é a disputa pelo poder”, explicou.

Nesse contexto, o conselheiro chamou atenção para o papel dos estereótipos na manutenção das desigualdades. “O que sustenta o racismo são os estereótipos, que são os dispositivos de poder”, afirmou.

Para Fábio Esteves, enfrentar essa realidade exige também garantir que pessoas negras ocupem espaços de decisão e representação que pertencem a toda a sociedade. A atuação institucional, segundo o conselheiro, é fundamental para romper o ciclo de reprodução do racismo e transformar o debate em ações concretas.

Trajetórias que revelam desafios e oportunidades
A juíza Gabriela da Conceição Rodrigues compartilhou com o público parte de sua trajetória até a magistratura. Desde criança, sonhava em ser juíza, mas contou que, durante o período em que atuou como estagiária no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, passou a questionar se haveria espaço para uma pessoa negra na carreira.

A mudança veio após a leitura de um livro do ator e escritor Lázaro Ramos, que a fez refletir sobre os limites que muitas vezes são impostos às pessoas em relação aos lugares que podem ocupar.

Fotografia da Juíza de Direito Gabriela da Conceição Rodrigues durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, promovida pelo TJMSP. Ao centro, Gabriela, mulher negra, de cabelos cacheados na altura dos ombros, está sentada em um sofá preto, segura um microfone e sorri enquanto fala ao público. Ela veste blusa preta e saia longa estampada em tons de azul, amarelo e laranja. À esquerda, parcialmente encoberto por uma participante da plateia, aparece o Professor José Vicente, advogado e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, homem negro de cabeça raspada, vestindo terno escuro e gravata vermelha. À direita, parte do Presidente do TJMSP, Desembargador Militar Silvio Hiroshi Oyama, também é visível. Ao fundo, estão as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, a identidade visual do painel e uma projeção da obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, composta por diversos rostos de diferentes tons de pele e traços
Dra. Gabriela da Conceição Rodrigues, Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça” promovida pelo TJMSP

No mesmo ano, foi publicado o edital do concurso para a magistratura do TJSP com reserva de vagas para pessoas negras. Gabriela decidiu se preparar, prestou o concurso e alcançou o objetivo. “Eu nunca tinha visto uma juíza negra. Eu fui a primeira juíza negra que eu conheci”, relatou.

A magistrada também contou que, mesmo depois de ingressar na carreira, ainda precisa adotar cautela ao se apresentar em determinadas situações para evitar constrangimentos. Ao se dirigir aos oficiais da Polícia Militar presentes no auditório, destacou ainda o impacto da atuação policial na construção da Justiça, uma vez que, em muitas situações, os agentes são os primeiros a tomar decisões que afetam diretamente a vida das pessoas.

“Houve sonho e também houve oportunidade”
O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, Professor José Vicente, agradeceu ao TJMSP pela iniciativa e classificou o encontro como um momento histórico. Ao falar sobre sua trajetória, contou que começou a vida profissional como boia-fria, em Marília, no interior de São Paulo, e chegou à posição de reitor de uma instituição de ensino superior.

Fotografia do Professor José Vicente e da Juíza de Direito Gabriela da Conceição Rodrigues durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, promovida pelo TJMSP. À esquerda, José Vicente, homem negro de cabeça raspada, veste terno azul-escuro, camisa lilás e gravata vermelha, está sentado em um sofá preto e fala ao microfone sorrindo. À direita, Gabriela da Conceição Rodrigues, mulher negra, cabelos cacheados na altura dos ombros, veste blusa preta e saia longa estampada em tons de azul, amarelo e laranja, e observa o professor sorrindo. Ao fundo, aparecem as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, a identidade visual do painel sobre equidade racial e parte da projeção da obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, composta por diversos rostos de diferentes tons de pele e traços
Prof. José Vicente, advogado e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, ao lado da Dra. Gabriela da Conceição Rodrigues, Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”

A história, segundo ele, demonstra que a realização de um projeto de vida depende tanto da capacidade de sonhar quanto da existência de oportunidades. “Houve sonho e também houve oportunidade”, afirmou.

José Vicente ressaltou ainda que o racismo não é um problema que deve ser enfrentado apenas pela população negra, mas uma questão que envolve toda a sociedade. Para ele, o fato de o TJMSP dedicar um espaço institucional ao debate representa um importante avanço.

Educação e perspectiva racial
O Procurador de Justiça Eduardo Dias de Souza Ferreira também compartilhou uma experiência pessoal relacionada à sua identidade racial. Ele explicou que, por ser um homem negro de pele clara, muitas pessoas não o identificam como negro, o que o coloca em situações particulares, diferentes daquelas vivenciadas tanto por pessoas brancas quanto por pessoas negras de pele mais escura.

Fotografia do Procurador de Justiça Eduardo Dias de Souza Ferreira durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”, promovida pelo TJMSP. Ao centro-direita, Eduardo, homem negro de pele clara, cabelos curtos, barba e bigode grisalhos aparados, veste traje preto e fala ao microfone enquanto está sentado em um sofá. À esquerda, o Conselheiro do CNJ Fábio Esteves, homem negro, cabelos curtos, barba e usando óculos, veste terno azul-escuro e acompanha a fala. À direita, uma intérprete de Libras realiza a tradução simultânea. Ao fundo, aparece a identidade visual do painel sobre equidade racial e um banner institucional do TJMSP
Dr. Eduardo Dias de Souza Ferreira, Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), fala ao lado do Dr. Fábio Esteves, Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante a roda de conversa “Equidade Racial no Sistema de Justiça”

Eduardo destacou ainda a importância das medidas institucionais adotadas pelo Poder Judiciário, especialmente a resolução do CNJ que estabelece diretrizes obrigatórias para a adoção da perspectiva racial nos julgamentos em todo o Poder Judiciário brasileiro.

Para o procurador, a educação voltada à formação para a cidadania é um dos caminhos mais seguros para o enfrentamento do racismo. Em sua avaliação, embora ainda existam muitos desafios, é possível reconhecer uma evolução histórica na discussão e no tratamento da questão racial.

Compromisso institucional
A abertura do encontro foi realizada pelo presidente do Comitê de Promoção da Equidade Racial do TJMSP, Desembargador Militar Adriano Baptista Assis. Ao destacar a honra de presidir o comitê, o magistrado afirmou esperar que a iniciativa produza impacto positivo no Tribunal.

Ao longo da roda de conversa, os participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais e refletiram sobre representatividade, preconceito, educação, atuação institucional e responsabilidade coletiva.

Mais do que promover uma discussão conceitual sobre equidade racial, o encontro reforçou a importância de criar espaços para ouvir diferentes trajetórias e reconhecer os mecanismos que ainda produzem desigualdades.

A iniciativa integra as ações do TJMSP voltadas à promoção da equidade racial e reforça o compromisso do Tribunal com o diálogo, a diversidade e a construção de um Sistema de Justiça cada vez mais inclusivo e atento às diferentes realidades da sociedade.

Ícone quadrado de cor rosa escuro contendo, ao centro, o desenho estilizado de um sinal de
Ícone oficial do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 da ONU, com fundo azul. No canto superior esquerdo, o número
Ícone oficial do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 da ONU, com fundo marrom. No canto superior esquerdo, o número

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